Moda, um Paraíso Perdido

Oi Rycos, Oi Rycas.

Não tive tempo algum de escrever esses dias, devido a correria em casa, mas vamos ao que interessa.
Este sábado tive a oportunidade de assistir ao espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo com o tema Paraíso Perdido.

O espetáculo foi totalmente baseado na pintura Jardim das Delícias de Hieronymus Bosch.Ao observar a apresentação, nota-se claramente como o mundo possui seus prazeres, seus medos, a realidade entrando em conflito com o lúdico, a busca pela beleza e o encontro com o macábro.

No repertório musical consta sons fúnebres, sons do paraíso, gritos de dor, risadas macábras.No palco o cenário é limpo, mas com trabalho de luzes enfatizando a fantasia e o estado de espírito.
O trabalho de corpo dos bailarinos é muito preciso, devido ao encontro do corpo com movimentos muito rápidos não podendo haver erros.

O figurino era muito bonito, criado por João Pimenta, que volta suas coleções para o público masculino.Estou devendo uma visita a loja dele, mas como estou sem câmera, prefiro esperar assim que estiver com uma nova (a minha quebrou, rs).

A cores das roupas eram basicamente o preto, cinza, bege (amo) e até roupas brilhantes que eu adorei.Havia também saias plissadas (tendência! rsrs), segunda pele que era o básico do figurino.Como sentei no mezzanine, não consegui ver muito bem os detalhes das roupas, mas percebi que havia um certo bordado na segunda pele e plumas.

Algo que me intriga e certamente falarei muito neste blog, é como o Brasil em geral retrata que tudo o que é bom, é somente vindo de fora.No folder de apresentação consta que o coreógrafo é Andonis Foniadakis, que é conhecido internacionalmente pelo o seu trabalho.
Mas hoje em dia para ser bom você precisa ser internacional?
Creio que sim, pois tudo o que você faz hoje e se repercute fora do país tem de ser bom, e se você não atingiu este status, você é apenas um simples profissional em sua àrea.
Isso vale para estilistas, designers, publicitários e assim por diante.Mas se o mundo é um só, o por quê de ter tanta importância os trabalhos internacionais de alguém?Não sabemos apreciar o produto feito aqui?
Vejam um simples exemplo no mundo fashion:Gisele Bundchen
Uma modelo que teve grande sucesso no que fez e se tornou um tipo de modelo exportação e é considerada a n°1 do mundo… por nós brasileiros.
O FFW teve uma entrevista com Franca Sozzani editora chefe da Vogue Itália e nesta entrevista, ela foi bem ”Franca”, em relação a Gisele quando disseram que ela é a modelo n°1 do mundo
Saída de um país novo como o Brasil, temos alguns nomes na moda como Gisele Bündchen, que é a modelo mais bem paga, a número 1 do mundo.
Franca disse:A Gisele não é a número 1. Isso é um conceito brasileiro, não mundial.
Mas ela está no topo da lista das modelos mais bem pagas do mundo segundo a “Forbes”.
Ser a mais bem paga não significa que ela é a número 1, existem várias “números 1”. Várias modelos que são boas, que não são somente belas, mas têm personalidade, entendem o fotógrafo. Natalia Vodianova também é uma número 1. E outras 3 ou 4 também o são. Ser bem paga não quer dizer que ela seja a mais valiosa para o mundo da moda. Muitas modelos, por exemplo, não fariam Victoria’s Secret. Capisci?

A resposta que eu sempre quis foi dita por uma figura de reconhecimento importante no mundo da moda(mundialmente falando)
Na moda ainda prevalece uma certa monarquia e hierarquia, pois algo vindo da Europa ou E.U.A é sinal de grande importância.
Gisele pode ser uma boa modelo, mas repare que não são todas as marcas de alta costura em qual já atuou.Gisele é uma modelo que representa o sensual, não propriamente o fashionismo.Não vejo Gisele em roupas estruturadas como a da Balenciaga, mesmo ela já tendo participado de um desfile, porém com a roupa totalmente diferente das demais modelos presentes.
Hoje para ser reconhecido como um bom profissional em moda, é muitas vezes necessário que se viaje mundo a fora e faça um curso na FIT, ou Saint Martins, para ter um mínimo de reconhecimento pelo o seu trabalho.
Realmente em escolas da Europa, e demais países, se aprende novas técnicas que não chegaram ainda ao Brasil.Entretanto, ao deixar de valorizar os cursos que temos, perdemos investimento neste campo, pois os cursos daqui não são ruins.
Se os cursos Europeus são bons, provavelmente são, pois certas nações não procuram talentos fora de seu país, mas investem no produto interno.
Acreditar em seu trabalho e correr atrás de aprimoramento do mesmo, pode fazer de você um incrível profissional.Vivemos ainda no Brasil a ostentação do luxo, o esnobismo, a luta de classes, demonstração de poder, algo que é totalmente fora de cogitação no mundo da moda.
Ser chique é usar roupas caras, ao invés de saber se vestir, ou ter estilo.Criamos uma alegoria de fantasias em nossas mentes que para estar na moda, sua peça de roupa deve valer mais que seu carro. Caro é sinônimo de bom? Já comprei roupas caras e que me deram apenas prejuízo.Conheço clientes de loja famosas que já gastaram 10 mil reais em roupas e voltaram com as peças todas descosturadas.
O mundo da moda é realmente como Jardim das Delícias: encontramos fadas, princípes, falsas donzelas, santos, demônios, monstros, figuras grotescas e exóticas.
Neste processo, o lúdico entra em contato com a realidade, e já não sabemos o que é real e quando damos de cara com a realidade, preferimos voltar a fantasia.Muitos vendem sua opinião por simples prestígio, preferem não comentar sobre certos assuntos para não estragar a fantasia de outrem.Falar mal de simples plebeus que chegaram a realeza é comum.Falar que não entedem de moda, também.Mas os que falam que sabem da moda, realmente sabem o que é?

Usar grifes é estar na moda?
Para os que se intrigam com informações passadas, com o passar do tempo verão muitas falsas donzelas, falsos princípes, demônios em forma de gente, vestidos da mais pura seda, mas que não sabem nada do conceito moda.
Ouvir e não questionar o que é real, já é muito comum.Acreditar no que é informado também.
Moda não é apenas vestir, é refletir, filosofar, questionar.
Ninguém precisa ter estudado na melhor faculdade da Europa para saber do que fala.Pequenos conhecimentos podem fazer uma grande diferença.

Não sou a sabedoria infinita, mas apenas alguém que já não acredita em contos de fada, vivo o que é real, não estou em uma pirâmide, sou próximo de todos e não me assusto tanto com monstros que encontro pela vida.

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Sobre Filha de Ryca

Tudo o que uma Filha de Ryca precisa conhecer e saber realmente sobre a moda!
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